Participantes

   

Fuhrmann, Wolfgang (Vienna) - “Para uma teoria de sistemas sociomusicais: reflexões sobre o desafio de Niklas Luhmann para a Sociologia da Música”

 

Wolfgang Fuhrmann nasceu em Viena, onde estudou Musicologia e Literatura Alemã. Obteve o grau de Doutor na Universidade de Viena com uma tese sobre a ética e a estética medievais: “Coração e voz. Interioridade, Afecto e Canto na Idade Média”, estudo publicado pela Bärenreiter Verlag em 2004. Wolfgang Fuhrmann é afiliado à Universidade Humboldt Berlim, onde regeu vários cursos, e trabalha freelance como crítico musical para jornais como o “Berliner Zeitung” e o “Frankfurter Allgemeine Zeitung”. Também tem ensinado nas universidades de Leipzig e Viena e no Conservatório de Stuttgart. Actualmente, prepara um estudo em grande escala sobre a recepção de Joseph Haydn pelos seus contemporâneos. Os seus interesses no campo da sociologia da música incluem a teoria de sistemas, história dos media e da esfera pública musical.

 

Resumo

 

Juntamente com Weber, Durkheim, Parsons, Bourdieu e Habermas, o sociólogo alemão Niklas Luhmann (1927-1998) deve ser considerado um dos mais importantes teóricos sociais do século passado. Frequentemente citada (pelo menos em países de língua alemã), muitas vezes mal compreendida, a influência da Teoria dos sistemas sociais de Luhmann tem sido limitada no discurso internacional. Isto é, sem dúvida, devido em parte à sua terminologia esotérica e modo de pensamento altamente abstracto (inspirado por teóricos tão diversos como Talcott Parsons, Humberto Maturana e George Spencer-Brown), o que tem limitado a sua atractividade; em minha opinião, o problema poderia residir, em parte, no facto de a teoria de Luhmann, embora altamente inspiradora no seu próprio plano, não ser particularmente aberta à fundamentação em projectos empíricos. Por exemplo, um conceito como o de “cultura”, que é de uma crescente importância nas ciências humanas e sociais, foi desprezado por Luhmann como teoricamente inútil.

 

O meu objectivo é duplo. Espero poder mostrar o que há de teoricamente atractivo em alguns dos conceitos básicos da Luhmann, tentando usar tão poucos termos esotéricos e tantos exemplos quanto possível. Especialmente,procuro defender que a definição de comunicação de Luhmann - para ele, o elemento básico da sociedade - abre ricas possibilidades para esclarecer as misturadas e confusas discussões das últimas décadas sobre o que constitui a música, uma obra musical, a ‘autonomia' da música, as esferas intra e extra-musicais, e assim por diante. Esta discussão também é relevante para a questão dos media musicais.

 

Em segundo lugar, ousarei algumas reflexões sobre a forma como pode ser estabelecida uma conexão entre a teoria Luhmann e a mais genuína pesquisa empírica sobre práticas sociomusicais.

Luhmann considera a teoria dos sistemas sociais uma super-teoria; as super-teorias são (em suas próprias palavras) “teorias que se reclamam de universalidade (isto é, que incluem tanto elas próprias como as suas oponentes” ( “Social Systems”, Stanford 1995, 4). Espero mostrar que os conceitos de Luhmann são úteis e estimulantes do pensamento mesmo para estudiosos que não subscrevem a sua teoria dos sistemas sociais.

 

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