González, Juan-Pablo (Santiago – Chile) - “Para uma história social da actualidade: música, juventude e política no Chile na década de 60”
Juan-Pablo González é Professor Titular do Instituto de Música da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Obteve o seu doutoramento em musicologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles, em 1991, e foi o primeiro presidente latino-americana do ramo da Associação Internacional para os Estudos de Música Popular (2000-2006) e da Sociedade Chilena de Musicologia (1996-2000). Tem publicado artigos e apresentado trabalhos em catorze países da América e da Europa. O seu principal foco da investigação é a história social e sócio estética da música popular chilena (e latino-americana) a partir desde cerca de 1890 a cerca de 1980. O seu segundo foco de pesquisa é a arte musical chilena do século 20, considerando a sua relação com as vanguardas europeias e as línguas locais. Recebeu o prémio em musicologia “Casa de Las Américas”, La Habana. 2003, pelo seu livro, escrito com Claudio Rolle, “História social da música popular no Chile, 1890-1950” (Santiago, Editorial Universidad Católica, 2005). O segundo volume, de 1950 a 1970, será publicado em 2009.
Resumo
Uma parte dos adolescentes dos anos cinquenta que começaram com o rock and roll e com o seu impacte na América Latina, tornaram-se estudantes universitários, músicos, poetas e escritores nos anos sessenta, expandindo a pesquisa e desconfiança da sua própria adolescência.
Em 1967, este desafio traduziu-se no Chile em duas formas opostas: o existencial e o social. A via existencial recebeu o impacte da cultura hippie e do beat inglês, criando os primeiros sinais de um rock progressivo local. A via social pesquisou as expressões de solidariedade e de oposição ao colonialismo cultural e económico norte-americano na canção da América Latina. Esta tendência foi encorajada pela Juventude Comunista do Chile, e deu origem à Nueva Canción Chilena. A música popular teve de adaptar o seu papel tradicional de entretenimento, dança e sedução às necessidades de jovens cada vez mais conscientes do seu papel histórico na mudança social e cultural da segunda metade dos anos sessenta.
Tudo isto aconteceu dentro das expectativas de mudança suscitadas pela “Revolução em liberdade” proposta pelo governo do democrata-cristão Eduardo Frei (1964-1970). Estas expectativas eram canalizadas pelo movimento estudantil em articulação com o processo de reforma universitária, a crítica da cultura e a defesa de valores latino-americanos, contra a uniformidade cultural promovida pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria.
Esta comunicação explora o papel da música popular na articulação do movimento de rebelião juvenil no Chile. Para tanto, concentramo-nos nas maneiras como a vanguarda, a crítica social e o apelo à acção foram abordados pela música popular. A questão é de saber como a música e o movimento juvenil se articulam em tempos em que a rebelião estudantil e o rock estão suficientemente próximos. É precisamente o espírito do rock progressivo experimental que está ligado ao clima de revolta e de mudança da juventude chilena de finais dos anos sessenta. Contudo, um rock em inglês, tocado com instrumentos importados, com a tecnologia e o mercado a apertarem as mãos, despertava a suspeita dos jovens chilenos mais politizados. Assim, o rock em inglês e o seu estilo de vida liberal passaram a ser vistos como mais uma forma de penetração do imperialismo na região. Consequentemente, a presente comunicação interroga-se sobre como a via social da reveliao juvenil no Chile, se articulou e deu sentido às suas próprias exigências na Nueva Canción Chilena, um movimento musical que fez diminuir a mediação do mercado, mas fez aumentar a mediação da ideologia.

