Participantes

   

Koglin, Daniel (Berlim) - “Espaços semânticos de Factos ou Artefactos Musicais?”

 

Daniel Koglin nasceu perto de Heidelberg, em 1972, e estudou musicologia, psicologia, filosofia em Freiburg, Salónica e Berlim. Fascinado pela vivacidade da cena da música oriental em Berlim, começou a concentrar-se no estudo da música clássica árabe e turca, aprendendo a tocar a flauta de bambu Ney. Em 2000, formou-se na Universidade Humboldt de Berlim, com um estudo sobre práticas improvisatórias na música folclórica grega que foi publicado na Bärenreiter, série “Musiksoziologie” (ed. Christian Kaden). Como membro do programa de investigação “Trácia e Macedónia Oriental” da Biblioteca de Música de Atenas, continuou a pesquisa de campo, em várias partes do norte da Grécia entre 2000 e 2003. Desde 2003, realiza pesquisas para uma tese de doutoramento sobre a recepção de música grega “rebetiko” nos dias de hoje, em Atenas e Istambul. Tem actuado como intérprete da flauta Ney com vários grupos música tradicional grega sediados em Atenas.

Resumo

Que significa o termo significação quando aplicado à música? Como muito bem sabemos, é extremamente difícil explicar em palavras o sentido das nossas experiências musicais. Haverá, assim, formas mais adequadas de o compartilhar com outras pessoas, preferencialmente na forma de símbolos visuais e, portanto, susceptíveis de ser impressos?

Embora possa haver alguma dúvida sobre se o significado da “música” pode ser representado visualmente, mais frequentes do que modelos não-espaciais são os meios à escolha para analisar o sentido que os seres humanos dão à sua actividade musical. Quer pensemos em vagas noções como as de campo, cena, subcultura ou paisagem étnica ou conceitos mais elaborados (vêm à mente o “espaço de posições sociais” de Bourdieu ou os “mundos da arte” de Becker), é notório que os musicólogos se têm servido muitas vezes de metáforas baseadas em distinções espaciais tomadas à sociologia e à antropologia social. Na minha comunicação, irei sondar a origem destas metáforas: são elas “factos” que existem nas mentes das pessoas cuja microcosmos musical nós estudamos, ou “artefactos”, isto é, as nossas próprias construções mentais? Por quê, então, são as metáforas espaciais aplicadas em todo o mundo à descrição do sentido musical, e isto não apenas nos discursos científicos, mas também na linguagem quotidiana? Será que o facto de os discursos sobre música serem muitas vezes expressos em termos espaciais indica uma tentativa, embora inconsciente, de superar as limitações que a língua (como um meio de comunicação sequencial), impõe à manifestação do sentido musical?

Para além destas considerações gerais, o meu foco será sobre a questão de como podemos destilar concepções subjectivas de experiência musical numa estrutura de relações espaciais que

(1) está firmemente fundada na experiência de um determinado tipo de actividade musical por indivíduos concretos em situações específicas;

(2) é suficientemente complexa para permitir a representação de vários aspectos, interrelações e conotações; contudo

(3), é suficientemente simples e abstracto para admitir a comparação inter-cultural e, portanto, pode legitimamente reivindicar que nos leva um pouco mais longe em direcção a um modo mais consciente, realista e sensível de interpretar o significado musical.

Neste contexto, será discutida com mais detalhe uma técnica de modelação espacial específica, usualmente referida como “diferenciação semântica”. Método usado desde há muito na disciplina de psicologia, a diferenciação semântica também é uma ferramenta útil, embora meio negligenciada, para os musicólogos comparatistas, independentemente do tipo de configurações da actividade musical a comparar, social, geográfica ou cronologicamente distintas. Sem dar muita atenção aos aspectos técnicos deste método, tentarei demonstrar a sua eficiência aplicando-o a um tipo específico de fazer música que tenho vindo a estudar há largos anos e que está relacionado com um género de canao popular urbana grega conhecido como “rebetiko”. O resultado será um “espaço semântico” de rebetiko que pode ajudar-nos a compreender como as elites intelectuais na Grécia e Turquia actuais fazem uso de conceitos, canções e práticas relacionados com o “rebetiko” para exprimir e desenvolver identidades sociais específicas.

 

 

 

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