Paddison, Max (Durham, RU) – “Aspectos Teóricos na Mediação Sociocultural da Música”
Max Paddison é professor de Estética Musical da Universidade de Durham. Tem publicado amplamente sobre filosofia e sociologia da música dos séculos XIX e XX décima nona e da música do século XX, da vanguarda e do rock, e sobre teorias da performance musical e da mediação. Bem conhecido pelo seu trabalho sobre a teoria crítica e Adorno, que escreveu dois livros nesta área: “A Estética Musical de Adorno” (Cambridge, 1993, 1997), e “Adorno, Modernismo e Cultura de Massas” (Londres, 1996, rev. ed. 2004) . É co-editor de um volume de ensaios com Irène Deliège, “Musique contemporaine: Perspectives théoriques et philosophiques” (Liège, 2001), que está prestes a aparecer numa versão expandida em inglês (Aldershot, 2009). Publicações recentes incluem um extenso ensaio sobre o conceito de mediação de Adorno, in: Becker & Vogel (eds.), “Musikalischer Sinn” (Frankfurt, 2007), e o trabalho sobre modernismo e globalização in: Despic & Milin (eds.), “Rethinking Musical Modernism” (Belgrado, 2008).
Abstract
Como parte de um projecto mais amplo sobre a mediação sociocultural da música, a presente comunicação centrar-se-á sobre o papel da mimesis na execução musical. Em primeiro lugar, considero a noção de mimesis num contexto filosófico e cultural-antropológico mais amplo (juntamente com as ideias relacionadas de imitação, mímica, e representação), e discuto a função que ela sempre exerceu como um modo de mediação sociocultural. Em segundo lugar, analiso a posição ocupada pela mimesis na estética de Adorno e, especificamente, no âmbito do seu projecto inacabado “Acerca de uma Teoria da Interpretação Musical”. Tomando a arte musical ocidental como uma tradição baseada na relação entre intérprete e partitura, Adorno afirma que o papel da mimesis e do “impulso mimético” é fundamental para a música como uma arte performativa, mesmo quando nada externo à obra-como-partitura é aparentemente objeto de imitação. A fim de resolver a questão de saber o que é que é “imitado” neste contexto, eu também exploro os aspectos biológicos e antropológicos do conceito filosófico de mimesis de Adorno. Finalmente, defendo que, para o significado do conceito adorniano de mimesis na execução musical ser plenamente entendido, não o será simplesmente como mediação entre o executante e a partitura, ou mesmo como um mero caso em que poderia ser dito que a própria performance mediaria entre compositor e público, mas antes que a mimesis tem de ser entendida como um processo dinâmico (ou seja, como um impulso mimético), que é em si mesmo social e culturalmente mediado.

