Participantes

   

Stascheit, Andreas (Dortmund) – “A Música na História do Pensamento Social”

 

Andreas Georg Stascheit graduado em Sociologia (MA), em Estudos Educacionais (major) e Psicologia (MA), Universidade de Bielefeld; em Performance de Violino (major) e Pedagogia de Violino (M. Mus.), Universidade de Música de Detmold, divisão de Münster. Obtido o Doutoramento em Sociologia na Universidade de Bielefeld (1989) foi postdoc no Grupo de Investigação de Sociologia da Cultura, da Universidade de Bielefeld, e investigador da Escola de Graduação DFG “Fenomenologia e Hermenêutica” na Universidade do Ruhr, Bochum, Departamento de Filosofia. Actualmente, é professor de Estudos dos Media, Estética e Comunicação em Dortmund, Universidade de Ciências Aplicadas e Artes Emil Berliner, e presidente do Instituto. Ensina no curso de graduação do Instituto de Música e Musicologia, da Universidade Técnica de Dortmund, e no curso de graduação da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, na Universidade de Ciências Aplicadas e Artes, Dortmund. Em 1996, recebeu o Prémio de Distinção no Ensino. Os seus interesses de investigação incluem estética, metodologia das ciências humanas, história do pensamento social.

 

Resumo

 

Em 1956 Alfred Schutz foi convidado a apresentar “Mozart e os filósofos”, no bem conhecido Conservatório Peabody, Baltimore. Durante o período de preparação para esta palestra, um jornal de Baltimore publicou um pequeno artigo que contém talvez o mais conciso resumo da autodefinição de intenções de Alfred Schutz: “As suas principais áreas de actividade filosófica são interpretações do mundo social através da linguagem e das artes , especialmente música.”

A reconstrução da via de Alfred Schutz para a sociologia através da música pressupõe duas direcções analíticas: a exploração das correlações entre a próprio prática musical de Schutz e as suas posições teóricas, complementadas pela detecção das influências que a controvérsia entre Nietzsche e Wagner e o debate entre Bergson e Einstein deixaram no pensamento de Schutz. Assim, a análise revela fontes e origens daquilo que pode ser chamado de ‘Cantus firmus' presente em toda a obra de Alfred Schutz: o nexo de tempo, acção e a pluralidade da racionalidade.

O ensaio de Schutz sobre Mozart, dedicado à amálgama de música e drama, centra-se num problema hermenêutico bastante difícil: Dada a evidente falta (ou melhor inibição) de um nível semântico na música, a reflexão sobre a experiência musical é sinónimo de reflexão sobre as dimensões da experiência pré-predicativas. Embora represente uma forma expressiva não-predicativa, a música é, no entanto – como Schutz afirma concisamente – um “contexto de significação”, colocando assim o problema de uma hermenêutica da música, que em diferentes variantes preocupa músicos, compositores, críticos e ouvintes, e, ainda mais radicalmente, o problema de uma hermenêutica da esfera pré-predicativa. “Mozart e os Filósofos” destina-se a dar voz à profundidade deste complexo cenário e retoma tópicos que Schutz tinha abordado desde o início dos seus escritos: a atitude crítica de Bergson perante a linguagem, o questionamento de Nietzsche quanto ao primado da palavra e a controvérsia entre Wagner e Nietzsche podem ser acompanhados ao longo de toda a discussão. Assim, o ensaio sobre Mozart desvela a sua importância, não como um ensaio em musicologia ou filosofia da música, mas sim como um estudo em “interpretações filosóficas do mundo social” através da música.

 

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