Participantes

   

Bicher, Katrin (Berlim) – “ ‘Sociedade para Audições Musicais Privadas'. Objectivos, Estruturas, Protagonistas”

 

Katrin Bicher. Estudos de musicologia e literatura alemã na Universidade Humboldt de Berlim. Estudante assistente do Prof. Christian Kaden (cátedra de sociologia da música e história social da música). Projectos de investigação: correspondência de Theodor Storm - Gebrüder Paetel (Publ. Berlim: Erich Schmidt Verlag, 2005); “Correio silencioso. Contactos inoficiais entre escritores do Leste e do Ocidente” (Stille Post. Inoffizielle Schriftstellerkontakte zwischen Ost und West) (Publ. Berlim: Christoph Links Verlag 2005). Diversas actividades na edição e elaboração de textos para orquestras, concertos e festivais.

 

Resumo

 

As atividades da “Verein für Musikalische Privataufführungen” fundada em 1918 são descritas como se segue na homepage do Centro Arnold Schönberg de Viena:

 

“ ‘Schönberg tem outra ideia magnífica [...] estabelecer uma sociedade que define como sua própria tarefa interpretar semanalmente para os seus membros obras musicais do período de Mahler até ao presente.' (Alban Berg a sua esposa, Helene, 1 julho de 1918). A ideia da “Sociedade de Espectáculos Musicais Privados” nasceu em Mödling e a sociedade foi fundada em Novembro seguinte. [...] A Sociedade definiu padrões, não só como espaço privilegiado de inovação, mas também pela sua estrutura não convencional. O programa preciso era mantido em segredo (“para garantir a uniformidade da afluência”); havia obras repetidas; os concertos da Sociedade não eram públicos; era proibido tanto aplaudir como vaiar – tudo tendo em vista “fornecer a artistas e amadores de arte um genuíno e aprofundado conhecimento da música moderna.”

 

Esta curta declaração resume a maior parte do que conhecemos acerca desta sociedade secreta. Apesar de vários desejos formulados em 1999, e de o legado de obras literárias e artísticas estar bem apresentado e facilmente acessível através da página inicial do ASC, só muito dificilmente se consegue obter qualquer informação adicional através de pesquisa musicológica sobre a funcionalidade, a estrutura organizacional, ou mesmo a natureza das relações entre os próprios protagonistas (quanto a gestão, adesão, intérpretes, ou ao próprio ‘Mestre').

Poucos factos e principalmente anedotas imprecisas têm moldado a imagem da sociedade até hoje. Um olhar mais atento para além de histórias em segunda e terceira mão, sobre o início da ‘Verein' e o seu maior período de actividade, permitiria reconstruir motivações e intenções e acima de tudo descobrir a razão por que o conceito falhou – sem nos darmos por satisfeitos com a desculpa convencionalmente aceite de uma crise financeira. Estes factores poderiam levar a uma nova imagem e a uma nova apreciação da importância histórica da ‘Verein'.

Lançar um novo olhar sobre história da Sociedade oferecer-nos-ia a oportunidade de aplicar um repertório de métodos que até este momento têm gozado de pouco crédito entre investigadores da área da musicologia: métodos de história antropológica.

Em vez de nos fixarmos nas estruturas ou “grandes” personalidades únicas como foco principal, devíamos empurrar para o centro do palco protagonistas históricos do dia-a-dia. Experiências de vida aparentemente marginais e e fontes tais como auto-testemunhos de pessoas “simples” e, muitas vezes esquecidas em torno das franjas do objeto de investigação poderiam ser reunidas, a fim de proporcionar um máximo de visão contextual. Além disso, o entrelaçar das perspectivas emic e tradicionalmente etic poderia permitir, ou mesmo levar a novas ideias.

O objectivo da investigação histórica não deveria ser a persistência do individualismo histórico ou o “ponto de vista nativo”, mas antes a transferência de uma perspectiva histórica e teoria moderna, incluindo a perspectiva do investigador. Mas o ponto de partida de tais estudos devia ser a fonte histórica imparcial.

Ao contexto histórico como ponto de partida deviam ser adicionadas interpretações, teorias e explicações – como um novo passo após a situação ser reconstruída. Esta mudança de perspectiva, que consequentemente afecta a relação de macro e micro-história, é nova para a escrita da história musical e devia ser testada utilizando o exemplo da Schoenberg-‘Verein'.

A descrição da “Verein für Musikalische Privataufführungen” com base nestas premissas deve:

• Em primeiro lugar, apresentar o modo de funcionamento da Sociedade e

• Em segundo lugar, testar a capacidade de adaptação dos métodos histórico-antropológicos a questões musicológicas.

 

 

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