Participantes

   

Bóia, Pedro (Porto, Exeter) – “Modernismo, Pós-Modernismo e Sentido no(s) Movimento(s) de (re-)Interpretação da Música Antiga”

Pedro dos Santos Boia prossegue estudos de Doutoramento em Sociologia na Universidade de Exeter (Reino Unido), sob orientação da Professora Tia DeNora. É Investigador no ISFLUP – Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi Bolseiro no âmbito do Projecto ‘Construções Identitárias de Género nas (Sub)culturas club' (FCT), sob orientação do Professor João Teixeira Lopes.

É licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1997) e mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2003), onde elaborou a sua tese sob orientação do Professor João Arriscado Nunes e com o apoio de uma Bolsa de Mestrado (apoio à Dissertação) da FCT. Estudou no Conservatório de Música do Porto (1994-2001), onde obteve elevada classificação no exame final de Viola d'Arco. Prosseguiu estudos superiores de Viola d'Arco no Koninklijk Conservatorium (Conservatório Real) de Haia (Países Baixos) (2001-2006), onde estudou também Pedagogia e Interpretação Historicamente Informada.

 

Resumo

 

O(s) movimento(s) de (re-)interpretação de Música Antiga (MMA) é fascinante pelas reflexões que estimula e pelas suas próprias contradições. Esta comunicação debruça-se sobre alguns temas que são alvo de debate entre defensores e detractores do movimento, sem deixar de considerar diferentes abordagens à interpretação da Música Antiga no âmbito do mesmo – quer enquadradas pela noção de «práticas interpretativas históricas» («historical performance practice»), quer de «interpretação historicamente informadas» («historically informed practice») – bem como as transformações que ao longo do tempo ocorreram a este nível.

Serão abordados vários tópicos importantes para a sociologia da música, para a musicologia e para a interpretação, tais como as noções de significado social e musical (no e para além do texto musical), de alteridade e de heterotopia.

Não sem ambiguidades e contradições (e sem nunca esquecermos de que não se trata de uma entidade homogénea), o MMA encerra em si características modernas/istas bem como pós-modernas. No primeiro caso, por exemplo, pode ser visto como reflectindo (entre outros fenómenos) uma configuração das sociedades ocidentais como ‘sociedades dos museus', tendo sido criticado por se fundar sobre uma abordagem filológica e positivista da interpretação musical, especificamente no que se refere à sua ambição de proceder a ‘reconstituições' históricas. Por outro lado, a crítica a uma visão evolucionista das transformações sofridas pelos instrumentos musicais ao longo da história e a crescente ênfase na retórica, entre outros aspectos, podem ser reconhecidos como características pós-modernas. Finalmente, é relevante reflectir sobre o papel desempenhado pela história em todo o movimento, procurando detectar aquilo que há de moderno e de pós-moderno nos modos como a história e o discurso histórico funcionam como ingredientes do MMA, sendo este entendido como produto cultural.

 

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