Participantes

   

Bohlman, Philip V. (Chicago) – “Som, Silêncio e Sociedade – A estética da acção numa sociologia da música globalizada”

 

Philip V. Bohlman é Mary Werkman Distinguished Professor do Departamento de Música e Ciências Humanas da Universidade de Chicago / E.U.A., onde também ocupa os cargos de Professor Adjunto na Divinity School, e membro do Centro de Estudos do Médio Oriente, Estudos Hebraicos, Estudos do Sudeste Asiático, e Estudo de Raça, Política e Cultura. Em Chicago, é também um membro adjunto nos Estudos Germânicos e Director Artístico da “Nova Budapeste Orpheum Sociedade”, uma trupe de cabaré judaica que é Ensemble-in-Residence da Universidade de Chicago. A investigação de Bohlman atravessa amplamente várias disciplinas e áreas de interesse, enfatizando as maneiras como o encontro – cultural, político e religioso – molda a interacção entre música e sociedade. Publicou numerosos livros e CDs, editados em várias línguas. Entre prémios com que foi distinguido contam-se a Medalha Edward Dent Medalha da Royal Music Society, de Prémio Berlim da Academia Americana, e Prémio Derek Allen de Musicologia da British Academy.

 

Resumo

 

A música faz alguma coisa? À superfície, esta questão sugere uma simplicidade ontológica, bem como uma simples ontologia. Nos últimos anos, desde a viragem cultural no mundo académico musical, a questão tem vindo a marcar uma divisão disciplinar, entre a compreensão da música como objecto e o reconhecimento da música como sujeito, portanto, entre a música como produto sonoro, cuja objectividade é propriamente deixada à interpretação, e como uma condição para posições subjectivas que permitem o engajamento social e político. Linhas de batalha ideológica têm-se formado entre estas duas posições da música como objecto e como sujeito, enquanto um conservadorismo político e musical coalescente em torno dos que afirmam que a música não faz nada, só os músicos agem, e uma musicologia engajada – até mesmo uma “musicologia radical”, como é afirmado no novo jornal online britânico de mesmo nome – insiste na necessidade de situar música num campo de acção social.

Neste trabalho examino o paradoxo que acompanha a formação de linhas de batalha entre objeto e sujeito, analisando a complexa relação entre som e silêncio. Abordo o paradoxo reflectindo sobre aquilo a que chamo a “estética da acção”, que justapõe condições objetivas e subjetivas da música ao redor da acção musical, a fim de as gazer entrar em colapso.

Os estudos empíricos em que me baseio para esta comunicação desenvolveram-se a partir de pesquisa recente e do projecto de um livro sobre “O Silêncio da Música”, em que eu apelo a práticas de “escuta do silêncio” para ouvir as vozes daqueles silenciados por actos de violência e genocídio, mas também pelas salas de concertos, pelo discurso público sobre música, e por disciplinas curriculares de música que permanecem surdas à diversidade musical e à diferença. Ao invés de tratar o silêncio como uma condição a priori em que a música não existe, examino-a a partir de perspectivas estéticas e religiosas que o olham como plenamente dotado de som. Defendo, além disso, que estas perspectivas são críticas para uma sociologia da música globalizada, uma sociologia da música que nos permita compreender as sociedades no plural, e já não apenas as ocidentais e industrializadas, mas sim como espaços cosmopolitas interligados através da transitoriedade e transmissão da cultura através da acção humana.

Examino o cluster de som, silêncio, e sociedade em torno de três diferentes tipos de subjectividade.

(1) A condição de silêncio em rituais e na religião, em particular em práticas fora do Ocidente (por exemplo, o Islamismo e o Budismo), fornece a base para a primeira condição.

(2) As condições globais de representação sonora e de circulação, em especial as do colonialismo e pós-colonialismo dentro da rede de espaços metropolitanos interligados (cf. p.ex. , “Cidades globais” de Saskia Sassen), fornecem o meu segundo cluster.

(3) Para a minha terceira condição, regresso à política do silêncio na história da modernidade, nomeadamente a mobilização do som para silenciar a diferença através da globalização da guerra e do genocídio (por exemplo, na chamada “Guerra Global ao Terror” actualmente em curso). O documento irá terminar com uma compreensão da acção musical que considera as possibilidades de fazer ressoar a música em espaços de silêncio.

 

 

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