Participantes

   

Brinca, Ana (Lisboa) – “ O som e a escuta no ‘KZ-Lager': Auschwitz, Buchenwald e Ravensbrück”

 

Ana Brinca é antropóloga e investigadora no CRIA (Centro em Rede de Investigação Antropológica – Portugal). Aguarda, no presente momento, a realização da prova pública de defesa da tese de doutoramento em Antropologia, especialidade em Antropologia Cultural e Social, na FCSH/UNL; tese cuja temática se centra na articulação da problemática das fronteiras étnicas com as estratégias de exibição e/ou manejo do segredo accionadas por portugueses ciganos nas suas representações identitárias para os não-ciganos.

 

Nalguma literatura dedicada ao Holocausto, são recordadas várias dimensões dos sons: a experiência de escutar o sino, a orquestra do Lager ou a palavra ‘polaco-latina' ‘selekcja' (Levi, 1988) ou outros sons humanos/não-humanos. Esta comunicação analisa a relevância da escuta nas relações sociais e interpessoais que tiveram lugar em campos de concentração da Segunda Guerra Mundial como uma estratégia ‘invisível' de sobrevivência física e identitária. Baseados nos testemunhos escritos de sobreviventes do Holocausto, focaremos,

a) o lugar e o uso dado pelos ‘Häftlinge' à escuta na sua socialização e ‘integração' na vida diária do ‘Lager', para prever o dia seguinte ou descodificar signos em termos de comportamentos, tarefas ou efeitos emocionais; ou, mais tarde, já depois da Guerra, como cadre de mémoires desses momentos e experiências passadas;

b) a escuta como a melhor maneira para entender os feedbacks dos diferentes interlocutores. Consideramos, a este nível, não apenas a experiência de ser (ou não) escutado e a sua conexão com emoções particulares (dor, humilhação, sentimento de superioridade ou prazer…), mas também, similarmente, a produção, o papel e o uso dado aos sons como marcadores identitários ou indicadores semânticos de fronteiras e hierarquias entre soldados Alemães, ‘Kapos' e ‘Häftlinge'.

 

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