Participantes

   

Lopes, José Júlio (Lisboa) – “O compositor contemporâneo no seu labirinto. Arquivo. Memória. Reprodução. Recepção. Instituições. Mediação. Novas tecnologias. Música no mundo”

 

José Júlio Lopes (Lisboa, 1957) é compositor, investigador e professor. Licenciou-se em Ciências da Comunicação (1988) na Universidade Nova de Lisboa e obteve o grau de mestre em Ciências de Comunicação na mesma universidade em 1995, com uma dissertação sobre “Operamulti – a re-união contemporânea das artes”. Prepara a sua tese de doutoramento e é investigador do CESEM. Foi professos da Universidade Autónoma de Lisboa (1992-2003) e do Instituto Piaget - ISEIT. Os seus presentes tenas de pesquisa para doutoramento são: ópera após as tecnologias digitais (como “máquina discreta” machine”); os paradoxos da música contemporânea de “engenho criativo”; e a música (de novo) no centro da redefinição das artes. Foi confundador e é director da ORCHESTRUTOPICA. Como compositor, as suas obras têm sido tocadas em Portugal e no estrangeiro, e as suas obras incluem ópera (2), teatro-música (1), orquestra (1), ensemble (9), música de câmara (15), coro (2) e piano (12), além de música electroacústica e música para o teatro.

 

Resumo

 

A reflexão que proponho tem que ver com a tarefa do compositor contemporâneo (na relação dialéctica entre esse sujeito e o mundo) na situação actual - tanto quanto é possível pensá-la - do ponto de vista da constituição do arquivo global da música, do poder da memória, dos modos de recepção, da relação com as instituições (nomeadamente as que encomendam e programam, mas também as que determinam o canone), os mecanismos de mediação (a crítica e o discurso dos compositores), as transformações impostas pelas novas tecnologias e a prospectiva que as incertezas instaladas no campo da música relevam do estado do mundo (e da função da música no mundo). 

Um dos ângulos de “ataque” é uma crítica ao facto de as categorias dominantes na prática e no pensamento estético musical continuarem a ser as herdadas do século XIX (o génio, a obra, o dom, etc), bem como alguns paradoxos instituidos (e conservados) pela vanguarda: (tal como enunciado por Baudelaire e outros) a busca do novo - ainda será novo buscar o novo? - e a ideia de que a "tarefa do génio é a criação de um estereotipo; o génio vanguardista é herdeiro do artista romântico (que possui um dom e é um mediador “divinizado”).

 

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