Participantes

   

Gomes Ribeiro, Paula (Lisbon) - “A construção operática da hiperrealidade: Paradigmas de representação social na dramaturgia da ópera contemporânea”

 

Doutoramento em Música (especialização em Dramaturgia de Ópera), Universidade de Paris VIII. Desde 1998, investigadora do CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical). Membro do DMCE (Dramaturgie Musicale Contemporaine en Europe), Paris. Lecciona no Departmento de Ciências Musicais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa), e no ISEIT (Almada). As suas principais publicações incluem o livro “Le drame lyrique au début du XXe siècle – Hystérie et Mise-en-abîme” ( Paris, Harmattan, 2002). Como encenadora assinou várias produções de ópera, designadamente, entre as mais recentes, “Comedy on the Bridge”, de Martinu, no Teatro Nacional de S. Carlos (Lisbon). Ocupa-se actualmente de aspectos sociológicos da ópera em finais do século XX.

 

Resumo

 

A comunicação examina a urgência operatica contemporânea em descrever uma actualidade fragmentada, polifórmica e sedutora, que se oferece a incursões criativas como hipermercado sem limites de factos vividos, memórias e discursos sobre a realidade. O armazenamento e manipulação ultra-sofisticados da informação fornecem ao criador de ópera permanente acesso a incontáveis e desvairadas fracções de conhecimento e narratives do presente, estimulando a emergência de novos produtos operáticos, fascinado com a deslumbrante cultura popular e dos media.

Exuberanteas exigências diárias de desempenho e uma atracção activa para uma inexorável interconexão virtual, concorrem com as solicitações duma percepção artística cada vez mais intensa e instantânea e do consumo do presente, em redes complexas espaciotemporais. Aspirando a integrar o extremamente dinâmico mercado da cultura e da informação, a expressão operática deixa-se fascinar pela sedutora feira de estímulos consumistas e quer igualar-se ao mistério da notícia – como John Adams prova eloquentemente em “Nixon in China”. Relatórios sociais e políticos chegam ao palco de ópera em produções contemporâneas vivas e ousadas, seja através dos discursos dos compositores, seja através das leituras cénicas, gerando novas hiperrealidades mitológicas baseadas em repertórios icónicos apelativos e perturbantes e em manipulações da actualidade.

 

 

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